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Atrevi-me a escrever

Penso, logo escrevo. Porque pouco me atrevo a dizer.

Discriminação? Como discriminação?

Eu vi isto e emparveci...Que queiram tentar minimizar ao máximo a dádiva de sangue infectado, compreendo perfeitamente (claro que devem ter em conta factores e grupos de risco; se não estou enganada, e se estou p.f. corrijam-me, creio que técnicos de saúde, por exemplo, também constituem grupo de risco). Agora, proibir a dádiva de sangue de homossexuais que não são abstinentes,quer dizer...Nesta notícia pode-se ler que "dador não será excluído por se assumir homossexual, mas por praticar sexo com outros homens", logo isto não pode ser considerado discriminação para com os homossexuais. Oi? Claro que pode! Não é suposto um homem homossexual ter relações com outro(s) homem(homens)? Então e se um homem for homossexual numa relação estável (e obviamente não abstinente) que apenas quer ajudar a salvar umas vidas? E em quê, exactamente, é ele menos que um heterossexual? Se for um tipo heterossexual com mais quilometragem que um carro usado ou uma mulher que já se enrolou com a freguesia inteira? Já são mais dignos de confiança? Aliás, levanto ainda outra questão...eu só vi que mencionaram homens homossexuais...E as mulheres também são abrangidas? São mais responsáveis e cuidadosas? Se realmente sentem que é assim que deve ser feito, pelo menos façam-se homenzinhos e admitam...é discriminação sim, e baseada na orientação sexual.

 

Dia Mundial da Dança

 

 

A música obtém forma corpórea através da dança.

Eu danço, sempre dancei. Porque sim. Não aspiro a prima ballerina, não sou a melhor no que faço, aliás, nunca fui. O meu corpo não é elástico como eu desejaria, custa-me muito ficar em pontas, as pirouettes não saem e o equilíbrio já teve dias melhores. De dança jazz a dança do ventre, e de dança do ventre a ballet, e do ballet a dança contemporânea...Vou passando por tudo um pouco, e absorvendo o que cada dança me tem a oferecer. Não vejo em mim a perfeição de movimentos que confere à dança a sua magnificência, mas dançando sou livre, e o meu corpo expressa-se através do movimento, e a música leva-me ao sorriso, às lágrimas, leva-me por aí fora...A dança faz, por isso, parte de mim.

Um bom dia dançado para todos!

(A)normalidades daqui a 20 anos!

Às vezes dá-me para pensar no quão rápido mudamos a nossa forma de pensar e viver...Ainda há poucos anos me contava a minha avó que a minha bisavó achava que estava próximo o fim do mundo porque se andava a construir uma linha férrea a uns poucos quilómetros dali...E vai daí, pensei numas coisitas que vão deixar de ser normais (normais não, mas antes normativas) ou que vão ser pouco comuns daqui a uns anitos:

 

   Entra o Joãozinho em casa (note-se que é daqui a 20 anos; todos nós conhecemos o Joãozinho mas ele agora é crescido), senta-se no sofá para ter uma conversa séria com os pais:

     "- Mãe, pai, há muito tempo que isto me incomoda, mas tenho algo para vos contar...é a minha vida, eu sei o que quero e se não for assim não vou ser feliz... Eu...eu acho que vocês já deviam desconfiar, não são parvos. O meu jeito, os meus gostos, a minha maneira de ser...Os amigos que sempre evitei trazer cá a casa...O facto de nunca ter apresentado uma namorada...Mãe, pai, desculpem se isto vos vai fazer sofrer mas...eu NUNCA vou fazer uma tatuagem ou ter piercings porque eu NÃO gosto...

     - Mas Joãozinho...não pode ser, que mal fizemos para merecermos isto? Então e a tua afirmação pessoal?

    - E já agora, mãe...lembras-te que quase me apanhaste tantas vezes...eu GOSTO de rezar...e eu vou ser PADRE.

   - MAS JOÃOZINHO, que vamos dizer à tua avó? Ai que não me estou a sentir bem...Estou a ver tudo à roda, tudo escuro...

  - E só mais uma coisa...eu gosto de ler livros e ver documentários...

  - NÃAAAAAAOooooooo..."

 

Marcas do tempo

O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto o tempo o tempo tem.

 

Se eu fechar os olhos eu lembro-me das cores do céu em tons de rosa logo pela manhã cedinho. Lembro do cheiro das manhãs na casa da avó. As árvores, a rua que parecia tão comprida e que agora encurtou porque, em vez de ser medida em muitos dos meus pequenos passos, é pisada pelas rodas do meu carro todos os dias à pressa, a caminho do trabalho. A casa mudou, o terreno foi repartido, as árvores de fruto foram cortadas, a rua foi ficando deserta - os vizinhos foram envelhecendo cada vez mais, e eu que pensava em todos eles como sendo já velhinhos naquela altura - e mais escura. E a avó também já não está mais lá, sentadinha no seu sofá. Mas eu passo lá todos os dias, porque, afinal de contas, era aquela rua que eu percorria para ir comprar uma goma à loja, de mão dada, e era naquela rua que eu punha fitinhas de carnaval nos poucos carros que passavam...E tudo foi mudando. E às vezes bate a saudade (e sei que nos outros familiares também...às vezes falamos disso). E eu lembro que a minha avó me dizia a brincar que eu não sentiria a sua falta quando partisse. E passados anos e anos, eu sonho com ela de cada vez que acontece algo importante nas nossas vidas, e eu espero que ela veja, de alguma forma e de algum lado, aquilo no que nos tornámos todos depois de já crescidos.

De vez em quando aparecem notícias na TV e nos jornais sobre os homens e as mulheres mais velhos do mundo. É tão bom, ver alguém que já passou por quase tudo. Mas...é inevitável pensar: será que eles não vivem num sofrimento ao qual já se habituaram, aquele sofrimento de ver todos os que amam ou amaram a desaparecer? Será que isso, em alguma parte da vida destas pessoas, as fez desistir de criar laços fortes? Porque sabem o que é a perda? Ou a morte passou simplesmente a ser para elas, de facto, mais uma parte da vida?

Pela ordem natural das coisas, sabemos que os mais velhos desaparecerão em primeiro lugar das nossas vidas...O que nos prepara para isso? O que nos prepara para o momento em que nos arrancarão da nossa vida, da nossa alma, da nossa carne, um pedaço tão importante? 

Por outro lado, novas coisas (e coisas boas) chegarão...Pessoas novas, momentos novos, coisas que farão parte de nós como se de um órgão vital se tratasse.

E as rugas, os cabelos brancos, a energia que um dia será escassa? Marcas do tempo, que na minha opinião não devem ser apagadas (refiro-me aqui às rugas e aos cabelos brancos). Ficarão a sabedoria e as memórias e penso que virá com o tempo uma maior serenidade, em que faremos as pazes connosco próprios e com o mundo.

 

Esse génio do Dr. Seuss...Damn...

Hoje descobri frases inspiradoras do Dr. Seuss. E são tão cheias de vida (e não aquelas frases bonitinhas assim meias "meh" que toda a gente põe nas redes sociais quando está deprimido), tão boas...E porque é que eu não li isto em pequenina? Tinha dado jeito...E já agora, fiz a descoberta da minha vida: eu tenho o MEU próprio Dr. Seuss - obrigadinha! - (vou comprar-te um chapelinho destes para pôr-to naquelas alturas em que me ajudas a pôr os pés no chão, tá certo?).

 

 

 P.S.: Onde encontro à venda a colecção destes livros fofinhos?

 

Ai Florence, tu e a tua máquina...

 

Se eu tivesse um hino, seria este. Não sei se é porque dá uma vontade imensa de largar tudo e dançar até cair, sem pudor ou presunção, se é porque transmite aquela ideia de correr, não sei de quê, não sei para onde, mas correr. Eu SOU a Super-Mulher e eu posso tudo. Basta correr. Run...run...(acho que deviam fazer um remake do Forrest Gump com este som de fundo..."Run Forrest, ruuuun...").

 

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