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Atrevi-me a escrever

Penso, logo escrevo. Porque pouco me atrevo a dizer.

Aproveitando...

...a minha veia sarcástica que tanto pulsa desde ontem (aprendi com a minha mãe que não se deve desperdiçar nada), atrevi-me a discorrer sobre diferentes tipos de amigos que podemos encontrar por aí (cujas motivações me passam ao lado, e cujas definições de amizade também me ultrapassam). Ei-los:

 

O amigo caracol

É aquele amigo que leva tudo às costas quando sai, incluindo um ou dois amigos porque fazer algo sozinho é demasiado complicado. Precisa de renovar o Cartão de Cidadão? Chama o amigo. Precisa de comprar uns comprimidos para a obstipação? Chama o outro amigo. Os amigos são perfeitos acessórios, indispensáveis em qualquer deslocação que se faça: "ora, lenços de papel...check, carteira...check, chaves de casa...check, chaves do carro...check, amigo...check". Este fénomeno é ainda mais visível em casais: cansados da monotonia, estes casais não saem para lado (absolutamente) nenhum sem levar outro casal no atrelado (longe de mim insinuar que não é pela bela da amizade em si mas porque cada membro do casal precisa de uma distração!).

 

O amigo puxa saco

O amigo puxa saco adora colocar aquele seu amigo num pedestal. É o amigo que reforça o quão garanhão o seu amigo é, que boa era a "gaja que ele papou no outro dia", que mostra ao seu amigo que este sacou o perfeito cavalinho ao andar de mota, que se ri das piadas do amigo até sangrar (hoje em dia penso que também se aplica a elogios ao tom de pele ou ao decote em "v" perfeito e depilado que o amigo tem). É também aquela criatura que idolatra a sua amiga, que lhe elogia o cabelo tão loiro, a pele tão morena, a cara tão linda, o corpo tão fantástico. É aquela que segue a amiga para qualquer lado como um cãozinho e o seu maior sonho é crescer para ser a encarnação da mesma. Estes são aqueles amigos que as pessoas que precisam de festinhas no ego constantes gostam de ter por perto.

 

O amigo ilusão de ótica

Desconheço se isto acontece entre homens, mas entre mulheres este parece ser um fenómeno frequente. O amigo ilusão de ótica é aquele que, por ser ligeiramente mais feio e menos arranjadinho, torna-nos mais bonitos só por estarem ao pé de nós, sobretudo à noite, ou com gente bêbada ou que veja mal ao longe. A amiga ilusão de ótica é aquela que, por comparação, vai transformar as amigas nas maiores boazonas do pedaço (maiores que a Sara Sampaio). Estas amigas são perfeitas para mulheres com probleminhas de auto-estima.

 

O amigo booty call

Penso que este dispensa explicações. É um amigo. Tem um booty. Tem um telemóvel para o qual se pode call. Sobretudo quando faz frio à noite.

 

O amigo seca-call

Este é o amigo (geralmente amigos, no plural) para o qual certas criaturas ligam quando estão a apanhar seca ou quando estão entediados, sendo que, habitualmente, nunca se lembram deste(s). Estes são uma espécie de amigos de recurso. Conhecia um tipo que devia ter alguns amigos seca-call (provavelmente eu estava incluída na lista): de vez em quando, do nada, mandava uma mensagem com "ola" (sim, sem pontuação nem maiúsculas); creio que enviava a mesma mensagem para uma lista de pessoas à espera de alguém que respondesse, em momentos de tédio.

 

E assim concluo a minha lista. Esqueci-me de alguém?

O bom exemplo d'"A Quinta"

Ontem, entre o zapping descontraído de um domingo à noite, "estacionei" n'"A Quinta" da TVI, assim numa de curiosidade mórbida de quem passa devagarinho na estrada a observar um acidente de viação.

Pelo que constatei, existe lá dentro uma Lili, e esta Lili tem um namorado (desconheço o nome). Ora, a Lili tem outro pretendente lá dentro. Um tal de Luís. Em benefício dos espetadores voyeurs (ontem, eu incluída), foi a Teresa Guilherme juntar estes três, possíveis elementos de um triângulo amoroso (assim esperava Teresa, e a TVI) que fosse despoletar uma subida das audiências. E além de um potencial triângulo, de que se falou na presença destes? De muita coisa. Incluindo de trechos que passaram, àquela hora, na TVI, com o best of dos nomes "carinhosos" que o namorado da Lili chamava à sua cara metade. Lembro-me, pelo menos, da besta chamar-lhe carinhosamente "burra" por diversas vezes, e segundo ela, "prostituta" (provavelmente "puta"). E a boa da Teresinha chama o menino à atenção, ao mesmo tempo que lhe dá alguma razão pois a Lili "anda sempre de trombas" e "não (lhe) dá um sorriso". Numa altura em que muito se fala da violência no namoro, e dado que infelizmente são estas as criaturas que servem de modelo aos jovens de hoje, é de uma falta enorme de bom senso tentar racionalizar tais atos na televisão. A Teresa Guilherme a dar "alguma" razão ao menino? Ela não parece ter propriamente ter idade nem feitio para "levar desaforo para casa" (logo, por que raio alguém deveria de levar?), por isso só posso concluir que falar com gente, separados por um ecrã de televisão, faz deles bichos e não pessoas. E dizia ainda o rapaz que aquilo fora tirado do contexto...que ele estava a meio de uma discussão...Amigo, a meio de uma discussão ou não, és uma besta na mesma, percebes? Puta é puta. Mesmo dito no meio de meiguice, ou depois de te arrancarem os testículos...puta é puta. Não é admissível de forma alguma. E digo mais: mais besta ainda é quem faz disso uma coisa aceitável. Aquela atitude permissiva que deturpa tudo é tão prejudicial quanto o ato em si. 

É da idade...

"candidaturas a... o candidato deve ter até 25 anos no ano em que se candidata"

"bolsa de...o candidato deve ter até 26 anos no ano em que se candidata"

"curso de...o candidato deve ter até 21 anos no ano em que se candidata"

"estágio profissional para...candidato deve ter até 30 anos no ano em que se candidata"

Das dores de costas, das rugas, das olheiras...eh pá queixo-me, mas não me queixo queixo. Agora, querem convecer-me que aos 29 anos sou inválida, morri para o mundo e não mereço nada mais?

Vamos fazer uma experiência

Para os homens que gostariam de perceber o motivo pelo qual as mulheres se queixam tanto da TPM (particularmente para aqueles que a consideram uma desculpa, nem sequer muito bem pensada, para o mau feitio no feminino), aconselho a visualizarem o seguinte cenário:

- imaginem que levaram um pontapé nos testículos;

- imaginem que bateram com a cabeça com toda a força e, por isso, sentem as têmporas a latejar;

- imaginem que um gajo atravessou o carro à vossa frente e ficou com o último lugar de estacionamento, sendo que vocês já estavam a sinalizar que iam estacionar aí há algum tempo;

- imaginem que o vosso colega de trabalho ficou com todos os elogios do vosso trabalho e ainda por cima fez uma piada de mau gosto à frente de todos;

- imaginem que faleceu o vosso animal de estimação, que vos acompanhava há anos.

 

Agora imaginem que sentem tudo isso em simultâneo. Imaginem também que têm de trabalhar normalmente e sorrir como se nada fosse.

 

(agora ide comprar chocolates para dar às vossas namoradas/esposas/filhas)