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Atrevi-me a escrever

Penso, logo escrevo. Porque pouco me atrevo a dizer.

Casamento

Há quem sinta uma pressão social constante para "dar o próximo passo" nisto das relações, e por "há quem sinta" entenda-se "toda a gente sente em alguma fase da sua vida". Quem nunca teve que forçar um sorriso amarelo em resposta ao tio que pergunta "e o teu namorado?" em todas as reuniões familiares, desde que atingiram a adolescência? Quem nunca teve que fabricar todo um discurso com os motivos pelos quais ainda não estão noivos? Quem, depois de já estar casado, não teve que explicar que querem criancinhas mais tarde (ou até nem querem, mas isso puxa longas conversas entediantes)? E depois da primeira cria, quem não teve que ouvir que "bom bom era darem um irmãozinho ao vosso filho"?

Pois bem, nem eu, meus caros, sou imune a tais questões. E perguntam vocês: quem ousa fazer-te tais questões? Quem ousa intrometer-se na tua vida? Quem? Eu digo quem: uma pulguinha de 9 anos, minha sobrinha...e quem pode discutir e argumentar com uma miúda de 9 anos que decidiu que quer que a tia case com o namorado? Quem tem a coragem necessária para não rebolar no chão de tanto riso quando uma miúda de 9 anos tenta discretamente arranjar argumentos, subrepticiamente tenta colocar ideias nas nossas cabecinhas, assim quase de forma subliminar? Eu não, é querido, é engraçado. Mas e agora o motivo? Está mortinha por ver como serão os nossos bebés...

Alguém tem de explicar à miúda que o casamento não é propriamente requisito para sermos pais...e não, não me atrevo a ser eu a ter esta conversa.

O Universo surpreende-me

Há meses perdi uma peça de um brinco. Encostei o que me restou para um canto, pois já não os podia utilizar. Procurei em casa...nada.

Este fim-de-semana lá resolvi comprar novas peças. Hoje encontrei a peça que tinha perdido há meses atrás. No parque de estacionamento da empresa. Onde passam centenas de pés todos os dias. À chuva, ao sol, ao vento...

Eu já desisti de entender...

I'm aliiiiveeee

E depois de uma fuga da realidade mais que merecida, voltei. Entretanto, muita gente saiu, comeu, bebeu e relatou tudo. Escreveu-se sobre o melhor de 2015. Agora escreve-se sobre resoluções para 2016. Eis o que tenho a dizer sobre o assunto:

 

1. Nos dias que passaram...comi, bebi, ri muito, fui feliz nestes dias de descanso, nos mesmos sítios, com as mesmas gentes.

2. De 2015 posso dizer que foi mais um ano. Talvez possa admitir que foi um ano em que comecei a dar passinhos de bebé em direção ao que quero para a minha vida. Melhor ainda, comecei a ver devagarinho o que isso é. Desesperei(desespero) no trabalho e quis(quero) mudar sem saber para onde. Senti-me orfã de amigos. Zanguei-me, chorei, chateei-me demasiado com coisas e com pessoas que talvez não tenham assim tanta importância. E passou tudo outra vez.

3. Para 2016...espero tudo. Penso em 2016 como se fosse O início. Mais do que qualquer outro ano. Entrarei nos trinta, vou viver pela primeira vez numa outra morada que não a dos meus pais, vou começar a minha família. Quero muito mudar o meu rumo profissional, e se não conseguir ao menos que não me falte força para continuar a tentar. Quero andar, agitar, correr. Quero começar, continuar, insistir. E tenho medo, muito medo. So...no pressure! 

 

Atendo o telefone e...

...ouço do outro lado:

- "Bom dia, podia passar a chamada a X? A bebé dele vai nascer e era preciso que trouxesse roupa cá ao hospital!"

E logo a urgência se instala: "Ó X, anda cá pá!"

Têm nascido bastantes bebés por estes lados (e alguns quase aí a chegar). 

Coisas destas aquecem a alma.

O poder da memória

Memórias olfativas. Sempre ouvi dizer que são das que mais permanecem. Estava agora no trabalho, a fazer um registo, quando senti o cheiro da caixa de cartão nova que estava em cima da mesa. Do nada, tive uma sensação de dejà-vu (ou será dejà-senti?), e flashes que tive dificuldade em perceber rapidamente. Era o cheiro. O cheiro a cartão despertou em mim a memória de pintar com lápis novos, num livro grande de colorir, ou dos livros novos da escola que eu me apressava a descobrir no fim do Verão. Foi o cheiro. O cheiro do cartão levou-me para a época em que sentia o cheiro dos lápis de cor e dos livros novos. O ter algo novo era algo muito poderoso: algo novo para construir, para imaginar, para aprender...Eu cresci, mas acho que ainda dorme em mim um bocadinho desse sentimento: um livro novo, umas agulhas e fio novos, um álbum novo...

 

Deixou-me um sorriso nos lábios.