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Atrevi-me a escrever

Penso, logo escrevo. Porque pouco me atrevo a dizer.

Coisas que a vida tem

Nestes dias, já comecei inúmeros posts, cada um com um tema diferente, que apaguei, e fechei a janela sem nada publicar uma e outra e outra vez. Sentia que devia escrever alguma coisa...isto de ter um blog e não publicar nada parecia-me errado. Não foi falta de inspiração, nem falta de coisas novas. Pelo contrário, em breve a minha vida sofrerá algumas mudanças em diferentes campos, coisas boas, posso afirmar, mas que me deixam, ainda assim, assustada. Sempre tive medo de não estar à altura de novos desafios, sempre comecei a fazer contas à vida e a pensar nos planos B, C e D caso o plano A fosse pelo cano abaixo. E agora ando assim: ansiosa, nervosa, na expectativa, sem saber muito bem o que pensar.

E pronto, é isso.

Só para dizer que ainda cá estou.

 

Aproveitando...

...a minha veia sarcástica que tanto pulsa desde ontem (aprendi com a minha mãe que não se deve desperdiçar nada), atrevi-me a discorrer sobre diferentes tipos de amigos que podemos encontrar por aí (cujas motivações me passam ao lado, e cujas definições de amizade também me ultrapassam). Ei-los:

 

O amigo caracol

É aquele amigo que leva tudo às costas quando sai, incluindo um ou dois amigos porque fazer algo sozinho é demasiado complicado. Precisa de renovar o Cartão de Cidadão? Chama o amigo. Precisa de comprar uns comprimidos para a obstipação? Chama o outro amigo. Os amigos são perfeitos acessórios, indispensáveis em qualquer deslocação que se faça: "ora, lenços de papel...check, carteira...check, chaves de casa...check, chaves do carro...check, amigo...check". Este fénomeno é ainda mais visível em casais: cansados da monotonia, estes casais não saem para lado (absolutamente) nenhum sem levar outro casal no atrelado (longe de mim insinuar que não é pela bela da amizade em si mas porque cada membro do casal precisa de uma distração!).

 

O amigo puxa saco

O amigo puxa saco adora colocar aquele seu amigo num pedestal. É o amigo que reforça o quão garanhão o seu amigo é, que boa era a "gaja que ele papou no outro dia", que mostra ao seu amigo que este sacou o perfeito cavalinho ao andar de mota, que se ri das piadas do amigo até sangrar (hoje em dia penso que também se aplica a elogios ao tom de pele ou ao decote em "v" perfeito e depilado que o amigo tem). É também aquela criatura que idolatra a sua amiga, que lhe elogia o cabelo tão loiro, a pele tão morena, a cara tão linda, o corpo tão fantástico. É aquela que segue a amiga para qualquer lado como um cãozinho e o seu maior sonho é crescer para ser a encarnação da mesma. Estes são aqueles amigos que as pessoas que precisam de festinhas no ego constantes gostam de ter por perto.

 

O amigo ilusão de ótica

Desconheço se isto acontece entre homens, mas entre mulheres este parece ser um fenómeno frequente. O amigo ilusão de ótica é aquele que, por ser ligeiramente mais feio e menos arranjadinho, torna-nos mais bonitos só por estarem ao pé de nós, sobretudo à noite, ou com gente bêbada ou que veja mal ao longe. A amiga ilusão de ótica é aquela que, por comparação, vai transformar as amigas nas maiores boazonas do pedaço (maiores que a Sara Sampaio). Estas amigas são perfeitas para mulheres com probleminhas de auto-estima.

 

O amigo booty call

Penso que este dispensa explicações. É um amigo. Tem um booty. Tem um telemóvel para o qual se pode call. Sobretudo quando faz frio à noite.

 

O amigo seca-call

Este é o amigo (geralmente amigos, no plural) para o qual certas criaturas ligam quando estão a apanhar seca ou quando estão entediados, sendo que, habitualmente, nunca se lembram deste(s). Estes são uma espécie de amigos de recurso. Conhecia um tipo que devia ter alguns amigos seca-call (provavelmente eu estava incluída na lista): de vez em quando, do nada, mandava uma mensagem com "ola" (sim, sem pontuação nem maiúsculas); creio que enviava a mesma mensagem para uma lista de pessoas à espera de alguém que respondesse, em momentos de tédio.

 

E assim concluo a minha lista. Esqueci-me de alguém?

Vamos ter uma conversinha

Sobre amizade.

Essa coisa bela e amarela que as pessoas gostam muito de publicitar no Facebook, com frases repletas de amor e carinho, com juras de devoção eterna. Ah, que linda é a amizade, que lindos são os amigos, que são tão únicos e estáveis (e envergonham os outros com a sua grandiosidade). Que lindos são, sobretudo na minha cabeça, quando me recordo de os ouvir falar mal uns dos outros. Que lindo...

Do sabor

Coisa engraçada esta...quantos de vós já se aperceberam que o sabor das coisas muda com o tempo?

Recordo com saudade os tempos já idos em que fechava os olhos ao morder uma fatia de pão com Tulicreme de avelãs. Era, para mim, uma novidade, e era tão bom! Sabia a pedaços de nuvem coloridos, a saltinhos entre poças de água. Anos mais tarde, provei novamente esta que era outrora uma dádiva dos deuses para mim. Era doce, era gostoso, só. Já não me sabia a sonhos e a brincadeiras.Tal como o Kit Kat...oh como eu adorava Kit Kat...Em pequena a minha mãe trazia um, muito raramente, quando assim era possível que o dinheiro não sobrava, um que era ainda dividido por três pequenos. Continuo a gostar, continuo a comer, mas nunca mais o sabor foi igual. Questiono-me se amplificamos o sabor de tudo em crianças, quando tudo é novo e bom, ou se é a (pouca mas alguma) privação que nos faz valorizar as coisas, mesmo sendo pequeninos. Hoje em dia tudo se apresenta em abundância e eu pergunto: perante tanto de tudo, tudo terá o mesmo sabor?

Bullies dos tempos modernos

Desengane-se quem pensa que o bullying acontece exclusivamente (ou mais frequentemente) entre as criancinhas. Não. O bully cresceu, e com ele a astúcia de procurar pessoas (consideradas por ele) mais fracas. Atrever-me-ia a teorizar que a sua semelhança a humanóides de complexidade inferior ou até mesmo a macacos é colmatada pelo instinto primário de marcar território e de demonstrar poder sobre terceiros. Digamos que a atitude autoritária do bully adulto assemelha-se em muito a um cão a urinar pelos cantos, ironicamente, para minimizar as suas próprias faltas, os seus complexos de inferioridade, o facto da mamã não lhe ter dado umas palmadas enquanto criança ou o facto de ter urinado a cama demasiadas vezes. O bully adulto, senhoras e senhores, é fraco, é menor, é mesquinho, é...burro como uma porta. E ele sabe disso. Encontrando-se numa posição de poder, o bully vai utilizar todas as armas que possui para se sentir superior na sua inferioridade, o Homem numa vida desprovida de sentido e afecto. O bully precisa das pessoas normais para alimentar o seu próprio ego (em teoria, o bully é um zombie que se alimenta de cérebros alheios), e suga a paciência, o ânimo, a alma de quem não lhe faz frente. O bully adulto não lhe vai roubar o dinheiro, as sapatilhas, o almoço; o bully adulto irá fazer marcação cerrada, controlar-lhe os passos, vai intimidá-lo e quase forçá-lo a trabalhar mais, a dar mais, a dar tudo e mais além do que é humanamente possível. O bully vai tentar arrancar-lhe o que tem que ele não tem: a vida própria, um bom auto-conceito, a sua auto-estima. Ele é fraco, atrás daquela máscara de força, ele é arrogante para mascarar a criança pequenina e cheia de falhas que é. Ele, senhoras e senhores, é um infeliz que um dia vai acabar rodeado de gente no mundo e completamente sozinho por dentro, tendo o manto do poder vazio para o aquecer à noite.

 

(O que digo sobre como este blog me ajuda a manter a sanidade mental nunca fez tanto sentido como hoje, com este post.)

Desistir

Desistir das pessoas. Penso aqui na questão da amizade, mas penso que se pode aplicar a outro tipo de relações. Quando é que é exactamente o momento em que deixamos cair a toalha, erguemos a bandeira branca, guardamos as armas...bem, vocês percebem a ideia. Quando? Quando é que nos deixamos de culpar pela distância e vemos finalmente que não dá para encurtá-la? Quando é que as mensagens esquecidas e as respostas que ficam por dar do outro lado são suficientes para nos mostrar que já não somos (se é que algum dia fomos) assim tão importantes? E a ideia do outro estar a sofrer? Quando é que deixa de servir como nosso argumento para tentar reatar as pontas de um laço há muito tempo solto?

Vamos fazer uma experiência

Para os homens que gostariam de perceber o motivo pelo qual as mulheres se queixam tanto da TPM (particularmente para aqueles que a consideram uma desculpa, nem sequer muito bem pensada, para o mau feitio no feminino), aconselho a visualizarem o seguinte cenário:

- imaginem que levaram um pontapé nos testículos;

- imaginem que bateram com a cabeça com toda a força e, por isso, sentem as têmporas a latejar;

- imaginem que um gajo atravessou o carro à vossa frente e ficou com o último lugar de estacionamento, sendo que vocês já estavam a sinalizar que iam estacionar aí há algum tempo;

- imaginem que o vosso colega de trabalho ficou com todos os elogios do vosso trabalho e ainda por cima fez uma piada de mau gosto à frente de todos;

- imaginem que faleceu o vosso animal de estimação, que vos acompanhava há anos.

 

Agora imaginem que sentem tudo isso em simultâneo. Imaginem também que têm de trabalhar normalmente e sorrir como se nada fosse.

 

(agora ide comprar chocolates para dar às vossas namoradas/esposas/filhas)

Lingerie

Andava eu na minha saga de compras-de-roupa-interior-nos-saldos-mas-porra-porque-é-que-nada-me-serve e dei-me conta de alguns factos interessantes.

Em primeiro lugar, é impressionante a quantidade de criaturas do sexo masculino que invade as lojas especializadas na venda de lingerie nas vésperas do dia dos namorados. Trata-se de falta de originalidade na escolha de um presente para a sua mais-que-tudo? Trata-se de um presente que sirva aos próprios interesses (qual Viagra, qual quê! Homem de meia idade que é homem de meia idade enche a mulher de tangas e cintos de liga para fazer crescer o seu próprio entusiasmo [pun intended])? Trata-se de um fetiche qualquer que consiste em "comprar papel de embrulho para revestir o próprio presente"? Ou é nesta altura que os homens se despem de pudores e vão comprar lingerie para si próprios?

Em segundo lugar, de quanto enchimento precisa a mulher moderna, afinal de contas? Digo-vos: pelo que vi, MUITO. Não são umas copazinhas ligeiramente almofadadas de modo a esconder mamilos arrebitados, não são umas esponjas finas e firmes criadas apenas para oferecer a ilusão de que as mamas têm uma forma divinal. Não. Hoje as copas querem-se pequenas e exageradamente cheias de esponja, assim numa proporção de 75% esponja, 25% mama. Não gosto. Sou mais lisa que uma tábua de passar a ferro, pelo que compreendo os complexos de algumas mulheres, mas é um exagero. Acrescentem uma peruca loira e têm a Barbie (versão antiga, não a versão actual da Barbie de curvas pseudo-realistas).