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Atrevi-me a escrever

Penso, logo escrevo. Porque pouco me atrevo a dizer.

E é isto...

Estou de poucas palavras, só solto um "foda-se" baixinho, de vez em quando. Têm sido dias difíceis, cheios de trabalho e eu solidarizo-me com os meus colegas, a quem nem sempre terceiros ajudam a que tudo corra bem, a tempo e horas. Agora, ouvir todo o santo dia palavrões, portas a bater, caixas a cair no chão, tampas de aparelhos a serem fechados com uma violência extrema, responder "não quero saber nada disso" ou até nem responder, quando uma pessoa não tem culpa nenhuma...ah grande porra! Também eu tenho que aturar mil merdas...

Today is a good day

Fui acusada de ser muito "stressada" (quando se é tão básico que se usa apenas "muito" e "pouco", sem dar a entender qual é o real tamanho da minha maleita, só posso assumir que "muito" corresponda a "insuportável"). Não vejo provas que suportem tal acusação, dado que só mando alguém para o caralho muito baixinho (imperceptivelmente, juro pelos dentes que ainda tenho na boca) e só o faço umas míseras 35 vezes por dia (considerando a extensão da minha jornada e a beleza do que tenho de aturar, é um número consideravelmente baixo, sou praticamente uma Madre Teresa de Calcutá). Bem, posto isto, decidi ceder à mudança e fazer UMA.  COISA.   DE.   CADA.    VEZ.

Até agora a experiência está a ser agradável (pelo menos para mim), já a de quem espera...desconheço. Função pública, aqui vou eu! Estou preparadíssima.

 

Bullies dos tempos modernos

Desengane-se quem pensa que o bullying acontece exclusivamente (ou mais frequentemente) entre as criancinhas. Não. O bully cresceu, e com ele a astúcia de procurar pessoas (consideradas por ele) mais fracas. Atrever-me-ia a teorizar que a sua semelhança a humanóides de complexidade inferior ou até mesmo a macacos é colmatada pelo instinto primário de marcar território e de demonstrar poder sobre terceiros. Digamos que a atitude autoritária do bully adulto assemelha-se em muito a um cão a urinar pelos cantos, ironicamente, para minimizar as suas próprias faltas, os seus complexos de inferioridade, o facto da mamã não lhe ter dado umas palmadas enquanto criança ou o facto de ter urinado a cama demasiadas vezes. O bully adulto, senhoras e senhores, é fraco, é menor, é mesquinho, é...burro como uma porta. E ele sabe disso. Encontrando-se numa posição de poder, o bully vai utilizar todas as armas que possui para se sentir superior na sua inferioridade, o Homem numa vida desprovida de sentido e afecto. O bully precisa das pessoas normais para alimentar o seu próprio ego (em teoria, o bully é um zombie que se alimenta de cérebros alheios), e suga a paciência, o ânimo, a alma de quem não lhe faz frente. O bully adulto não lhe vai roubar o dinheiro, as sapatilhas, o almoço; o bully adulto irá fazer marcação cerrada, controlar-lhe os passos, vai intimidá-lo e quase forçá-lo a trabalhar mais, a dar mais, a dar tudo e mais além do que é humanamente possível. O bully vai tentar arrancar-lhe o que tem que ele não tem: a vida própria, um bom auto-conceito, a sua auto-estima. Ele é fraco, atrás daquela máscara de força, ele é arrogante para mascarar a criança pequenina e cheia de falhas que é. Ele, senhoras e senhores, é um infeliz que um dia vai acabar rodeado de gente no mundo e completamente sozinho por dentro, tendo o manto do poder vazio para o aquecer à noite.

 

(O que digo sobre como este blog me ajuda a manter a sanidade mental nunca fez tanto sentido como hoje, com este post.)

Mais uma

Começo hoje mais uma formação na "minha área" (entenda-se que é "minha área", porque a estudei e dizem que sim, que essa é a "minha" área, apesar de não haver nela um espaço para mim, profissionalmente, claro está, que a posso ter no coração, que posso pagar quotas à Ordem por algo que nunca vou precisar, porque posso orgulhosamente pegar no canudo e acená-lo com toda a força, só não posso exercer porque neste país, e quiçá neste mundo, não há um puto de um lugar para mim, porque não há, porque não mereço a cunha que leva outros ao colinho). Ora, o que me perturba? Primeiro e mais que tudo, nem é a seca que posso apanhar se o formador estiver ali só para ganhar as míseras horas, é sim o ser obrigada a socializar com malta ao lado da qual me vou sentar durante algumas horas da minha vida. É todo aquele mimimi das apresentações iniciais: de onde somos, onde estudámos e há quanto tempo, onde trabalhamos...e depois há aquelas pessoas genuinamente simpáticas que tentam tirar o positivo de toda e qualquer situação. Como achar que trabalhar noutro ramo é simpático. Como perguntar vezes infinitas se gostamos do nosso trabalho, mesmo que digamos que sim num sorriso amarelo forçado. Porque dizer às pessoas que não estamos interessados em mudar o fornecedor de papel higiénico, mentir às pessoas porque outras não as querem ver, tratar de parvoíces como marcações em cabeleireiros, em ginecologistas e psiquiatras, andar feita mula de carga a transportar presuntos e resmas de papel de um lado para o outro...não é o mesmo que faz um profissional da "minha" área. E ainda assim, se eu gostasse, era feliz. Mas não gosto.

Só digo o seguinte

A vós que:

- não sabem enviar uma carta, porque não fazem ideia de onde é o local para preencher a morada do destinatário;

- não querem aprender a enviar um fax, ainda que precisem de o fazer regularmente ( e não no sentido figurado);

- se negam a tratar dos vossos próprios assuntos particulares só porque podem mandar alguém fazê-lo...

 

...se houvesse um apocalipse zombie, eram os primeiros a serem comidos, de tão fraquinhos que são. E isso, meus caros, deixa-me um sorriso nos lábios nestas alturas.

Deve ser da água...

...ou então alguma coisa no ar! Os estimados coleguinhas andam todos pegados uns com os outros, acho que vou distribuir Victan pelos gabinetes, uns pauzinhos de incenso e umas barrinhas de chocolate, a ver se a malta não desata à batatada (se bem que, se tal acontecer, sento-me a assistir...pelo sim pelo não vou também deixar aqui um saquinho de pipocas).