Desengane-se quem pensa que o bullying acontece exclusivamente (ou mais frequentemente) entre as criancinhas. Não. O bully cresceu, e com ele a astúcia de procurar pessoas (consideradas por ele) mais fracas. Atrever-me-ia a teorizar que a sua semelhança a humanóides de complexidade inferior ou até mesmo a macacos é colmatada pelo instinto primário de marcar território e de demonstrar poder sobre terceiros. Digamos que a atitude autoritária do bully adulto assemelha-se em muito a um cão a urinar pelos cantos, ironicamente, para minimizar as suas próprias faltas, os seus complexos de inferioridade, o facto da mamã não lhe ter dado umas palmadas enquanto criança ou o facto de ter urinado a cama demasiadas vezes. O bully adulto, senhoras e senhores, é fraco, é menor, é mesquinho, é...burro como uma porta. E ele sabe disso. Encontrando-se numa posição de poder, o bully vai utilizar todas as armas que possui para se sentir superior na sua inferioridade, o Homem numa vida desprovida de sentido e afecto. O bully precisa das pessoas normais para alimentar o seu próprio ego (em teoria, o bully é um zombie que se alimenta de cérebros alheios), e suga a paciência, o ânimo, a alma de quem não lhe faz frente. O bully adulto não lhe vai roubar o dinheiro, as sapatilhas, o almoço; o bully adulto irá fazer marcação cerrada, controlar-lhe os passos, vai intimidá-lo e quase forçá-lo a trabalhar mais, a dar mais, a dar tudo e mais além do que é humanamente possível. O bully vai tentar arrancar-lhe o que tem que ele não tem: a vida própria, um bom auto-conceito, a sua auto-estima. Ele é fraco, atrás daquela máscara de força, ele é arrogante para mascarar a criança pequenina e cheia de falhas que é. Ele, senhoras e senhores, é um infeliz que um dia vai acabar rodeado de gente no mundo e completamente sozinho por dentro, tendo o manto do poder vazio para o aquecer à noite.
(O que digo sobre como este blog me ajuda a manter a sanidade mental nunca fez tanto sentido como hoje, com este post.)