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Atrevi-me a escrever

Penso, logo escrevo. Porque pouco me atrevo a dizer.

Bullies dos tempos modernos

Desengane-se quem pensa que o bullying acontece exclusivamente (ou mais frequentemente) entre as criancinhas. Não. O bully cresceu, e com ele a astúcia de procurar pessoas (consideradas por ele) mais fracas. Atrever-me-ia a teorizar que a sua semelhança a humanóides de complexidade inferior ou até mesmo a macacos é colmatada pelo instinto primário de marcar território e de demonstrar poder sobre terceiros. Digamos que a atitude autoritária do bully adulto assemelha-se em muito a um cão a urinar pelos cantos, ironicamente, para minimizar as suas próprias faltas, os seus complexos de inferioridade, o facto da mamã não lhe ter dado umas palmadas enquanto criança ou o facto de ter urinado a cama demasiadas vezes. O bully adulto, senhoras e senhores, é fraco, é menor, é mesquinho, é...burro como uma porta. E ele sabe disso. Encontrando-se numa posição de poder, o bully vai utilizar todas as armas que possui para se sentir superior na sua inferioridade, o Homem numa vida desprovida de sentido e afecto. O bully precisa das pessoas normais para alimentar o seu próprio ego (em teoria, o bully é um zombie que se alimenta de cérebros alheios), e suga a paciência, o ânimo, a alma de quem não lhe faz frente. O bully adulto não lhe vai roubar o dinheiro, as sapatilhas, o almoço; o bully adulto irá fazer marcação cerrada, controlar-lhe os passos, vai intimidá-lo e quase forçá-lo a trabalhar mais, a dar mais, a dar tudo e mais além do que é humanamente possível. O bully vai tentar arrancar-lhe o que tem que ele não tem: a vida própria, um bom auto-conceito, a sua auto-estima. Ele é fraco, atrás daquela máscara de força, ele é arrogante para mascarar a criança pequenina e cheia de falhas que é. Ele, senhoras e senhores, é um infeliz que um dia vai acabar rodeado de gente no mundo e completamente sozinho por dentro, tendo o manto do poder vazio para o aquecer à noite.

 

(O que digo sobre como este blog me ajuda a manter a sanidade mental nunca fez tanto sentido como hoje, com este post.)

Desistir

Desistir das pessoas. Penso aqui na questão da amizade, mas penso que se pode aplicar a outro tipo de relações. Quando é que é exactamente o momento em que deixamos cair a toalha, erguemos a bandeira branca, guardamos as armas...bem, vocês percebem a ideia. Quando? Quando é que nos deixamos de culpar pela distância e vemos finalmente que não dá para encurtá-la? Quando é que as mensagens esquecidas e as respostas que ficam por dar do outro lado são suficientes para nos mostrar que já não somos (se é que algum dia fomos) assim tão importantes? E a ideia do outro estar a sofrer? Quando é que deixa de servir como nosso argumento para tentar reatar as pontas de um laço há muito tempo solto?

Crescer

Um dia olharás para ti e verás o quanto cresceste! Um dia sentirás um murro no estômago e aí vais-te aperceber que, afinal, não tens sempre razão. Ou então, mais doloroso ainda, vais-te aperceber de que às vezes até tens razão, a tua razão, mas que não ganhas nada em bater o pé, em pisar, em ouvir que estás certo. A isso se chama crescer. Um dia vais-te aperceber, por exemplo, que no trabalho, assim como em todos os aspetos da tua vida, vais ter de ceder nisto ou naquilo em prol do teu bem-estar e do bem-estar dos outros, vais ver que os teus colegas são apenas teus colegas (não têm de ser teus amigos, não tens sequer de gostar deles, não precisas de os convidar para casamentos/funerais/batizados dos filhos) e que o importante é apenas e unicamente entenderem-se de forma a deixar o trabalho (bem) feito. Não importam coisas pessoais, picuíces e mesquinhices, porque nunca vamos gostar de toda a gente e a vida é assim mesmo e acabou. Vais-te aperceber que não te adianta estrebuchar, gritar ou chorar, porque a idade das birras já passou há muito. Há que ser fácil e permitir aos outros que sejam igualmente fáceis. E isto é crescer e crescer nada tem a vêr com a idade mas sim com as aprendizagens que vão sendo feitas.

Acerca da preocupação

(Parental Advisory: it contains strong language)

 

Como é possível eu preocupar-me tanto, quando em volta todo o mundo parece estar a cagar para tudo? Qual a utilidade da preocupação, anyway? Se tento resolver, não consigo. Se não consigo, mais vale mandar tudo para o caralho, não? E muito principalmente se o problema não é meu, comigo, causado por mim ou eu própria. Se é comigo, se não me apetece fazer nada em relação a isso, se não sei o que fazer em relação a isso, mais vale cagar para isso também, não? Pois com certeza.

A preocupação é uma força. Faz-nos pensar em soluções para um problema. Faz-nos agir para acabar com o mal-estar que ela própria causa. É físico, é mordaz, é horrível por vezes. Mas tem o seu propósito, acredito eu. Como tudo tem o seu propósito. Mas quando a coisa deixa de ter sentido, quando deixa de haver uma procura ou aceitação de eventuais soluções, esse propósito desaparece. Por isso, é mais fácil falar/escrever que fazer, mas para quê preocupar em certos casos? Que se foda o que deveria ser, que se foda a preocupação que mói cá dentro, que se fodam todo o bitching e lágrimas de crocodilo.

 

 

Ai!

Para uma mariquinhas que raramente responde quando deve como eu, tenho a dizer que tenho o coração demasiado perto da boca e que a língua e os olhos que reviram são bastante mais rápidos que o meu cérebro. Pormenor: com quem não devo. Sou capaz de me calar perante uma boca aziada da colega que passa a vida a queixar-se de Deus e do mundo, mas a minha carinha-mete-nojo aparece logo perante pessoas a quem todos lambem as botas.

Filha, controla lá esse temperamento, que já sabes que não seria a primeira vez que levarias na cabeça por isso. Por muita razão que tenhas (e mais alguma até), às vezes, simplesmente, não a tens. Ponto final. É ouvir e calar.

Lições de vida #1

Habituei-me, ultimamente, a achar que era valente. Que não me deixava influenciar, que agia independentemente de agradar ou não aos outros. Especificamente no trabalho. Critiquei quem se queixa sem atuar (e continuo a criticar, porque se é para se queixar então que se faça algo para mudar as coisas), e acreditei que ia levar sempre a minha avante. Afinal ainda me importo se desagrado a terceiros, afinal ainda sou, mais do que qualquer coisa, influenciada pela possibilidade de incomodar alguém. Afinal sou um peixe. E acabei por morrer pela boca.