República de uma banana: próximas autárquicas

Nova rubrica por aqui (se é que algumas vez tive alguma coisa a que pudesse chamar de rubrica) para politiquices e coisas igualmente humorísticas: "República de uma banana". EU acho que vou gostar. Espero estar certa.
Um destes dias tive uma ideia que me pareceu ligeiramente menos idiota que o habitual: dado que o anterior presidente da minha Junta de Freguesia é um irresponsável, oportunista, snobe, mal-educado, ignorante e bajulador, e dado o atual ser um cabeça-no-ar que parece ter sido abandonado na Terra por uma nave alienígena, decidi (por alguns minutos) candidatar-me à presidência da dita cuja. Ora, não deve ser assim tão difícil. Ambos nunca abandonaram os múltiplos postos de trabalho (vulgos tachos) e, apesar de estarem sempre com o telemóvel colado à orelha (às vez dois em simultâneo), nunca os ouvi a tratar de coisas de extrema importância que não envolvessem questões como o tamanho que a relva do jardim teria de ter. De modo geral, por aqui, está uma merda. Podia estar pior. Mas também podia não estar uma merda. Já sei que não há dinheiro, mas há crianças, e há velhos, e há adultos fortes com dois braços, e com jeitinho também há boa-vontade. Se se procurar, quer dizer.
Posto isto, decidi que ia ser presidenta (já sei que no português de Portugal não existe presidenta, mas eu não quero saber). Só um pequeno senão: não estou envolvida na política e acho que nem sequer tenho uma orientação política definida (não me chateiem, descobrir a orientação sexual e a orientação profissional já dá trabalho suficiente). Uma vez que o meu pai já tinha andado envolvido na política nos seus tempos de juventude (aaahhh, os valores e as crenças na juventude...), perguntei, curiosa, o que era necessário para entrar no mundo da política, ao que ele me responde "Bem, primeiro inscreves-te como militante do PSD,...". Oi? Então o homem não ouve as minhas dúvidas existenciais relacionadas com as eleições que se aproximam? Não saberá o homem que sei lá eu bem de que cor sou (e que desconfio mesmo muito que não é o PSD que me enche as medidas)? Aliás, eu fiz o impossível: vi um site que afirmava ser capaz de me posicionar em relação aos diferentes partidos para me facilitar a decisão quanto ao meu voto, só precisaria de responder a umas questões, e não é que fiquei numa mancha branca, no meio do nada, afastada de todos os partidos políticos? Como é que o meu pai me vai escolher a cor política se nem sequer é ele capaz de identificar bem ou coordenar as cores da roupa que veste?
Há que traçar um plano. Está decidido. Quem está comigo?